O sexo oral e o aperto de mão

Gay Talese, autor de "A Mulher do Próximo"
Em 1970, quando o escrito norte-americano Gay Talese começou a pesquisa para o seu livro “A Mulher do Próximo”, o cenário era bastante agitado. A contracultura, o movimento feminista e o movimento contra a Guerra do Vietnã faziam parte desse cenário. Essa geração é marcada pelo uso excessivo de drogas, além da liberação da nudez.
Talese afirma que as jovens daquela época não tinham consciência do que estavam fazendo, citando o fato de elas trabalharem em casas de massagem com a mesma naturalidade que trabalhariam em bibliotecas. Ele aponta isso como uma sexualidade mercenária. O escritor afirma que hoje vemos a mesma coisa, mas não pela mesma razão. “A revolução dos anos 70 não é mais revolucionária, é ordinária”, destaca.
“Para minha perplexidade, hoje jovens praticam sexo oral como se fosse um aperto de mão. Quando eu estudava, sexo oral quase não era mencionado. Era mais íntimo do que intercurso sexual”, lembra. Talese, com sua incrível capacidade de exemplificar suas afirmações, relembra uma polêmica na Casa Branca “Quando Bill Clinton disse que não estava fazendo sexo com “aquela mulher”, Monica Lewinsky, quem sabe achasse mesmo que não era sexo, só uma apresentação social.”
Para escrever “A Mulher do Próximo”, Talese se tornou freguês de casas de massagem. Foi severamente criticado e muitos consideram o livro uma tentativa do escritor se “esbaldar”. “Como é que você sabe o que se passa ali se não participa? Ficar na coletiva de imprensa, pegar o avião com o presidente, isso dá ao repórter a versão oficial. Ou você tem acesso ou desiste de escrever”, finaliza.
Gay Talese é um dos criadores do movimento chamado de Novo Jornalismo, criado na década de 60. Trabalhou no jornal New York Times de 1956 a 1965. Confira o site oficial do autor acessando www.randomhouse.com/kvpa/talese/.

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